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Dor de ouvido com exame normal? A resposta pode estar na sua articulação da mandíbula

Dor de ouvido ATM: quando o otorrino não acha nada no ouvido, a origem costuma ser a articulação da mandíbula. Entenda a otalgia por DTM e o que fazer.

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Se você sente dor de ouvido, foi ao otorrino e ele disse que o ouvido está normal, a origem da dor provavelmente não é o ouvido: é a articulação da mandíbula, que fica bem na frente dele. Essa articulação (chamada ATM, articulação temporomandibular, o ponto onde o maxilar encontra o crânio, na frente da orelha) e os músculos que movem a mandíbula quando você mastiga podem doer e "empurrar" a dor para dentro do ouvido. O nome disso é otalgia referida por disfunção temporomandibular, ou DTM. É uma das causas mais comuns de dor de ouvido com exame limpo, e tem tratamento.

Por que a mandíbula faz o ouvido doer

A ATM fica a poucos milímetros do canal do ouvido. Coloque o dedo logo à frente da orelha e abra e feche a boca: aquele osso que se mexe é a articulação da mandíbula. Quando ela ou os músculos ao redor estão sobrecarregados, o cérebro tem dificuldade de saber exatamente de onde vem a dor, porque a região do ouvido e a da mandíbula compartilham os mesmos nervos. O resultado é que uma dor que nasce no músculo da mastigação chega à sua consciência como se fosse "dor de ouvido". Isso se chama dor referida, e é o mesmo mecanismo pelo qual um problema no coração pode doer no braço.

Por isso o otorrino olha lá dentro, vê o tímpano saudável, sem infecção nem cera, e diz que está tudo certo. Ele está certo: o ouvido está bem. O que ninguém olhou ainda foi o vizinho de parede.

Os sinais de que a origem é a mandíbula

Alguns sinais ajudam a diferenciar uma otalgia por DTM de um problema real de ouvido. Preste atenção se a sua dor vem acompanhada de:

  • Estalo, clique ou travamento ao abrir a boca, bocejar ou mastigar;
  • Dor que piora ao comer alimentos duros ou ao mascar chiclete, e melhora quando a mandíbula descansa;
  • Sensação de ouvido tampado ou abafado, às vezes com zumbido, sem que haja cera ou líquido no exame;
  • Dor na frente da orelha, na têmpora ou no maxilar, que às vezes sobe para a cabeça;
  • Rigidez ou cansaço na mandíbula ao acordar, sinal comum de quem range ou aperta os dentes dormindo (bruxismo);
  • Dor ao apertar com o dedo o músculo da bochecha ou a região logo à frente do ouvido.

Se você reconhece três ou mais desses sinais, a chance de a origem ser a articulação da mandíbula é grande. O ouvido tampado do DTM, em particular, confunde muita gente, porque a pessoa jura que é um problema de audição, mas o audiograma vem normal.

O que costuma sobrecarregar a mandíbula

A ATM foi feita para um trabalho pesado: você abre e fecha a boca milhares de vezes por dia para comer e falar. Ela aguenta bem isso. O que ela não aguenta é a carga extra e silenciosa de apertar ou ranger os dentes, especialmente durante o sono ou em momentos de tensão e concentração. Esse aperto constante fadiga o músculo, inflama a articulação e mantém a dor ligada.

Outros fatores que somam: mastigar sempre do mesmo lado, roer unhas, apoiar o queixo na mão por horas, postura de cabeça projetada para frente na frente do computador e períodos de estresse, que aumentam o aperto sem a pessoa perceber. Raramente é uma causa só; costuma ser um conjunto de hábitos que, juntos, passam do ponto que a articulação suporta.

Aqui na Intensive, quando alguém chega com dor de ouvido que já rodou o otorrino sem resposta, a avaliação de mandíbula é um dos primeiros caminhos que a gente investiga. O tratamento com fisioterapia para DTM trabalha diretamente a articulação e os músculos com terapia manual, exercícios específicos e reeducação dos hábitos que mantêm o aperto. A boa notícia é que, quando a origem é mesmo a mandíbula, a dor de ouvido costuma responder bem, porque a gente está tratando a causa, e não só abafando o sintoma.

Quando procurar avaliação

Nem toda dor de ouvido é DTM, e é importante não pular etapas. Se a dor vem com febre, secreção saindo do ouvido, perda de audição repentina, tontura forte ou muita dor, isso pede o otorrino primeiro, para descartar infecção e outras causas do próprio ouvido. Faça essa checagem.

Agora, se o otorrino já examinou, o ouvido está limpo e a dor persiste ou volta sempre, especialmente com os estalos e a piora ao mastigar que a gente descreveu, o próximo passo lógico é uma avaliação da articulação da mandíbula. Um fisioterapeuta com formação em DTM examina o movimento, apalpa os músculos, identifica onde nasce a dor e monta um plano. Não existe cura mágica nem promessa de resultado da noite para o dia, mas a maioria dos casos de otalgia por DTM melhora de forma consistente com tratamento conservador, sem precisar de cirurgia.

Perguntas rápidas

Dor de ouvido por DTM some sozinha?

Às vezes a crise passa quando a sobrecarga diminui, mas se o hábito de apertar os dentes continua, a dor tende a voltar. Tratar a causa é o que quebra o ciclo e evita a recaída.

Preciso ir ao dentista ou ao fisioterapeuta?

Os dois podem atuar em conjunto. O dentista avalia a mordida e pode indicar uma placa para o bruxismo; o fisioterapeuta trata a dor, o movimento e os músculos da mandíbula. Muitas vezes o melhor resultado vem dessa dupla.

Ouvido tampado sem cera pode ser mandíbula?

Pode, sim. É uma queixa clássica de DTM: a tensão dos músculos ao redor da ATM altera a sensação de pressão no ouvido, dando aquela impressão de abafado, mesmo com o canal e o tímpano completamente normais.

Há 18 anos no Guará, com fisioterapeutas do seu lado o tempo todo — atendimento próximo, do jeito que o seu caso pede.

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